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Homem em nova Versão

Mais sensível, companheiro, próximo dos filhos e das tarefas domésticas, o homem contemporâneo está descobrindo as delícias de uma nova identidade. Não mais sozinho no comando, pode agora compartilhar seus sentimentos, fraquezas e projetos.

 

Homem que é homem não chora, ostenta no peito o emblema de guardião absoluto da família e, como prêmio de consolação por resistir a tantas pressões, internas e externas, goza de uma liberdade incondicional, cujo gostinho as mulheres desconhecem. Durante anos, esses pilares sustentaram a identidade masculina. Ainda bem que, a partir da segunda metade do século 20, a história tomou um rumo bem diferente.

No raiar do terceiro milênio, muitos são aqueles que sentem dificuldade de se encaixar no antigo estereótipo do macho. Isso porque, com o advento do movimento feminista e a consequente emancipação do até então “sexo frágil”, os homens foram obrigados a rever seus conceitos e se reformular. Hoje, uma parcela considerável do Clube do Bolinha troca fraldas, cuida da beleza, lava louça, vai para a beira do fogão – alguns, inclusive, exibindo, orgulhosos, seus diplomas de gourmet –, e, quem diria, expressa seus sentimentos com mais desenvoltura, e o melhor de tudo, sem se deixar intimidar pelo fantasma da pieguice. Bom para eles e para elas. Ambos os lados se beneficiam dessa metamorfose em curso e, portanto, ainda carente de ajustes.


“O homem tinha um lugar muito definido na sociedade, sabia exatamente o que fazer. Por outro lado, não podia demonstrar fragilidade e era o único responsável pelo sustento da família. Logo, sentia uma opressão profunda”, pondera a filósofa carioca Viviane Mosé. Segundo ela, a entrada da mulher no mercado de trabalho gerou insegurança, já que os papéis do casal tiveram que ser redefinidos. E, para desestabilizar de vez a antiga zona de conforto, essa incerteza trouxe a reboque uma rivalidade nunca antes experimentada. “A mulher, desde sempre, objeto de proteção, vira concorrente e inimiga”, observa Viviane.


A boa notícia é que esse estranhamento inicial está dando sinais de trégua. “As mulheres estão descobrindo que o homem é um parceiro, não um rival”, afirma a filósofa. E mais. Ela avisa que estamos caminhando para o dia em que as atribuições masculinas e femininas estarão tão diluídas que os pares poderão transitar pela vida com mais autonomia e liberdade de escolha.


Nesse cenário em construção, não haverá lugar para receitas prontas, certo e errado. “Teremos vários arranjos possíveis e cada um poderá escolher o melhor para si”, antecipa Viviane. No cardápio, coexistirão homens que gostam de cuidar da casa e dos filhos enquanto suas mulheres trabalham, casais que fazem questão de dividir todas as contas e tarefas domésticas e mulheres que preferem parceiros provedores. “Estamos deixando para trás um modelo excludente de sociedade e criando espaço para que os homens se desenvolvam nas suas diferenças”, ela comemora.